Leve impressão que meu país não respeita minha profissão...

Amo meu trabalho de Educadora, pena que esteja pensando em desistir da área pública, porque meu país não valoriza minha atuação para Sua Melhoria.

Não consigo ser tão esperançosa como a colega Amanda Gurgel, que ainda tenta mobilizar-se pela causa. Se não houve mudança no país por tanto tempo, o que me resta é adaptar-me buscando novos meios de uma vida digna.

Atualmente, condições precárias de ensino pelo número de 20 crianças num pequeno espaço no qual eu e minha colega devemos dar conta de Projetos Educativos (das 100 linguagens da criança, projeto Entorno, Literatura Infantil, jogos cooperativos, além de atividades de rotina), cuidado e alimentação.

Além de suprir as carências afetivas de cada uma delas por causa das 10 horas que passam na Unidade de Ensino. (às vezes, os alunos me chamam de "Mãe" e querem colo)

Um barulho intenso, uma correria frenética, um desgaste mental, emocional e psicológico mto grande...
Fechando com chave de ouro: semana passada, no final do dia exaustivo, uma mãe de aluno reclamar com a direção que eu deveria passar "creme" no cabelo de sua filha e penteá-la antes de ir embora para casa "já que eu ficava o dia inteiro com ela".

...

Amo as crianças (tds os ex-alunos e alunos que tive e tenho), mas as condições não são dignas de qq ser humano.

Preocupo-me com minha saúde.

Inferiorizam-me como profissinal da carreira a qual estudei por 4 anos numa das melhores Universidades na área da Pedagogia (e ainda mais 2 anos na pós graduação que não estou fazendo apenas para somar pontos p/ minha evolução funcional, mas pq me comprometi com a ação Educativa).
Atualmente vejo a miséria do salário do professor, salas lotadas, professores com problemas psicossomáticos por causa da exaustão acoplada à falta de respeito.

Ligo a televisão e a Estória continua: aluno de 10 anos, atirando em professora. Pais que ficam do lado dos filhos na hora de julgar um professor qdo as notas não são boas.

Sei que existem péssimos educadores. E a tendência é piorar.
Começando pela "formação acadêmcia". Já que pessoas inteligentes não querem esse tipo de tratamento, não escolhem no Vestibular a área da Educação. (Outros ainda escolhem por amar a vocação, como eu).
 Alguns outros, fazem aulas de Educação à distância com uma precária formação em 2 anos e recebem um diploma (isso mesmo, um DIPLOMA). Com o carimbo de que estão "Aptos" para serem "Educadores"! Lembrando que "Educadores" são aqueles que vão desenvolver as faculdades de uma criança, de um jovem, portanto, que irão FORMAR a estrutura intelectual de uma pessoa. (sim, eles terão um "diploma" e ocuparão uma sala de aula).

Mas existem os Bons Professores, que são realmente instruídos e aptos para o ensino... mas, esses querem ser tratados com a dignidade que lhe é devida pelo bom trabalho que exercem!
Se não a recebem, se frustram e se decepcionam,. Adoecem, e quando podem, saem.
Não com o prazer de quem completou uma carreira, mas com o alívio de quem sai de um lamaçal (no qual, qto mais energia se gasta em movimentar-se, mais se afunda).

Ainda, como uma vocacionada à área da Educação, pretendo continuar na carreira, mas não na esfera Pública.

Não assim, não desse jeito.

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