Filtrando Gente Pessimista

Eu não posso negar que às vezes me acho bastante pessimista.
Fico com medo de acidentes que não aconteceram, e costumo premeditar o pior, sabe a frase: Fazer tempestade em copo dágua.
Às vezes sou assim....mas na maioria das vezes eu tento ser animada, animar os outros, sempre tento fazer do que eu faço algo importante, mesmo que seja só pra mim e pra minha consciência. Dar uma aula bem dada de maneira divertida pras crianças, de acordo com o que planejo e com os objetivos que acredito serem bons pra elas.
Eu me animo fácil fácil pra passear, ir almoçar em algum lugar diferente, fazer algum planejamento pro grupo de louvor que lidero (fondue, jantarzinhos), cineminha, compras, fazer algum programa de índio (ir pro ibira só pra papear com algum amigo), animo falar ao telefone e dar risada dos ossos do ofício no cotidiano do trabalho, animo fácil....
O que me desanima e irrita é gente que parece que vive num marasmo de autocomiseração e que fica se vitimizando, sempre pondo-se de culpada e enxergando a vida sob as lentes do insucesso e fracasso...

E é disso que eu quero falar: gente pessimista: como se livrar? ( no bom sentido claro! rsrs Ninguém vai deixar o outro falando e sair, ou desprezar). Mas é preciso tomar muito cuidado com essas pessoas que costumam colocar pedras no caminho e chorar por elas, ao invés de simplesmente tirá-las do caminho e desfrutar um caminho livre...

Hoje foi punk.
18 crianças de vários agrupamentos, ou seja idades diferentes.
Eu cheguei ao CEI feliz! Feliz por ser véspera de jogo e de feriado. Por ser apenas um dia de reposição.
E, alguém conseguiu tirar minha paz e abafar minha alegria.
Eu sei que a pessoa não fez por mal. De verdade.
É uma pessoa que eu gosto muito e tento ajudar de várias formas. É uma pessoa nova na rede municipal, ainda está "pegando o jeito". Nova na rede porém não tão nova de idade, o que dificulta um pouco. Pode ser impressão minha, mas geralmente, pessoas mais velhas tem uma mente meio cauterizada pra algumas coisas, e isso dificulta a aprendizagem. Gente nova geralmente é disposta a aprender. Disposta a fazer.

Agora uma pessoa mais velha, tem uns conceitos bastante "presos" e dificilíssimos de serem flexiveis à novas aprendizagens. O problema MAIOR é que uma pessoa mais velha e pessimista, além de ter dificuldade de refletir sobre novas coisas, sendo pessimista, tem o terrível costume e enxergar somente o lado ruim das coisas, velhas ou novas, e PIOR AINDA se essa pessoa tiver algum tistúrbio causado por depressão. Aih mistura o sentimento de "Sempre sou prejudicada", "Sou vítima", "Todos estão contra mim", "Eu sou um problema"....

Se você convive com alguém assim sabe do que estou falando.
É difícil estar com uma pessoa assim sem se sentir exausto no final do dia. E assim que me senti: Exausta.
Exausta por ter que ficar praticamente "responsável" por 18 crianças, exausta por buscar suporte na outra profissional pra ter parceria e não ter, exausta pela falta de consciência do trabalho cotidiano e pedagógico, exausta pela auto comiseração e conversa de assuntos aleatórios sobre sua vida vitimizada sendo que havia alunos precisando da minha atenção. Por ter que orientar cada passo e ainda dar conta de trabalho que não era meu: por tudo isso: Exausta.

Mas, eu sei, de coração, que essa pessoa não é "folgada", ou ruim. Simplesmente não tem noção das coisas. Na mente tem dificuldade de separar a realidade do pensamento, perceber o que é prioritário do secundário. Talvez tenha a ver com os remédios que toma ou o trauma que sofreu na sua vida pessoal (não vou entrar em detalhes).

Então o que fazer?
Destratá-la? Jamais. Porque essa pessoa tem um bom coração e precisa de ajuda.
Ouvir tudo o que tem a dizer? Nem sempre. Porque nem sempre estou em condições emocionais de ouvir um despejar de lamentos. Por ser muito sensivel eu acabo me envolvendo com os problemas da pessoa, meu coração fica pesado com tanto (TANTO) pessimismo, fico cansada, porque é uma pessoa tão carente que acaba me sugando as energias...ou fico mesmo é com raiva por tanta autocomiseração e falta de noção das coisas.

Então eu me pergunto: o que Deus quer que eu faça.
Cheguei até a pensar hoje que ainda estaria naquela escola pra ajudar essa pessoa, por isso não havia conseguido minha remoção.

Essa carência dela, a necessidade de ser ouvida, de ter medo constante achando que irão fazer algo contra ela, na verdade é uma insegurança, uma necessidade de preenchimento, de segurança, de afeto.

Acho que essa é minha parte, dar afeto, ser amiga, ao mesmo tempo dar dicas e tentar mostrar que está segura. Espero que ela desenvolva uma noção melhor de si e do mundo, e eu espero ser um instrumento de Deus para a cura de seus traumas. Ao mesmo tempo sei que devo ser cautelosa, e perceber quando não estou tão bem para ouvir lamentações.

Ouvir as queixas das crianças já é bastante exaustivo, porque crianças discutem com as outras crianças o tempo todo. Agora ouvir um amigo com depressão, é necessária a estrutura emocional que só Deus pode dar pra mim. Então, preciso aprender a me proteger também.

Amar o próximo não está em ficar colado o tempo todo, mas dar o espaço que o outro precisa pra pensar e chegar às suas próprias conclusões, para ter suas próprias experiências e amadurecer e também espaço pra respirar respirar. Espero que ela me dê espaços para respirar, assim como eu preciso aprender a deixá-la por conta de si mesma para que ela se desenvolva pelas suas próprias experiências como educadora.

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